Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

 A Guenizah do Cairo da Sinagoga Ben-Ezra em Fustat (antiga Cairo), no Egipto, foi um marco de singularidade pelo estado de preservação dos seus documentos. Durante dez séculos - Sec. IX / Sec. XIX - manteve todo o tipo de textos da comunidade judaica local: textos sagrados, responsa rabínica, documentos de casamentos e divórcio, correspondência pessoal, etc.

 

Em virtude da centralidade geo-política do Cairo durante a Idade Média, a guenizah continha material de locais de largamente diferentes e distantes. Uma vez que o material desta guenizah era tão variado e nunca havia sido transportado para ser devidamente enterrado, acabou por servir de maior testemunho da vida dos judeus (e não só) do Norte de Africa e Leste Mediterrânico para além dos séculos XI-XII.

 

A descoberta e sua importância começou de uma forma particularmente emotiva. Em 1896, foi mostrado a Solomon Schechter, professor da Universidade de Cambridge, (que posteriormente se tornou no presidente do Jewish Theological Seminary em Nova Iorque) um fragmento de texto pelas suas irmãs que haviam comprado a um negociante de antiguidades no Egipto. Schechter reconheceu de imediato que elas lhe tinham passado para a mão uma folha do texto original em hebraico do há muito perdido “Conhecimento de Ben Sira”. Esta importante descoberta estimulou-o a viajar para o Egipto de forma a examinar e adquirir o conteúdo da Guenizah do Cairo para a biblioteca da Universidade de Cambridge. Voltou a Inglaterra com 140.000 fragmentos que iriam revolucionar os nossos conhecimentos da cultura judaica medieval no mundo mediterrânico.

 

Em baixo poderão ver imagens da colecção de 40.000 fragmentos da bliblioteca do JEWISH THEOLOGICAL SEMINARY. A maior parte dos textos está escrito em Judeo-Arábico e em Hebraico, e contém documentos pessoais bem como fragmentos de textos sagrados. Os fragmentos que irão ver são registos de textos rabínicos.

 

    

 Para ver em pormenor basta clicar nas fotos

 

 

NOTA: Guenizah é um compartimento que serve de agregador temporário e transitório de textos sagrados que se encontram deteriorados, antes de serem enterrados no cemitério.



publicado por Marco Moreira às 13:03
Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

'BUCKYBALLS' é a nova exposição de Manuela Xavier, patente desde ontem e até 21 de Outubro, na Sta. Casa da Misericórdia de Lisboa.

 

A artista apresenta 7 telas em negro. Em que o negro se torna numa cor luminosa. Negro abre um campo mental próprio, o negro na sua condição de total ausência de cores o relaciona sim biologicamente com a ideia do nada do vazio. O vazio deixado pela inundação, o vazio da pagina em branco. Por isso expressa a concepção abstracta do zero, do espaço infinito do não ser. Negro absoluto. Tal como Buckyballs, nano tecnologia (a ciência do mais pequeno) no fundo no mais pequeno, no mais profundo há espaço infinito, abrem-se possibilidades infinitas. Como James Joyce escreveu “Fecha os olhos e vê”.

 

[ Direcção: Sta. Casa da Misericórdia, Rua do Carmo n.º 17 - 2, Lisboa ]



publicado por Marco Moreira às 12:11
Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

 

O jornalista católico 'irlandês' Bill O'Reilly convida novamente o sumo-sacerdote da Igreja do Ateísmo, o cientista britânico Richard Dawkins, a propósito do lançamento do seu novo livro, já editado em português pela editora CASA DAS LETRAS: "O Espectáculo da Vida".

 

Mais um confronto superficial, mas memorável...

 

 

[ Para ver ou rever o 1.º round, que teve lugar nos estúdios da FOX NEWS a 23 de Abril de de 2007, a propósito daquele que é conhecido como o manual do 'dogma ateísta': "Desilusão de Deus" » clique aqui ]



publicado por Marco Moreira às 22:24
Sexta-feira, 09 de Outubro de 2009


Herta Müller & Barack Obama

Vencedores deste ano do Prémio Nobel da Literatura e da Paz, respectivamente

 

Depois do anti-semitismo, já aqui referenciado, destaco mais dois cadeaux surprise com que o norte da Europa nos vai fazendo o favor de brindar. Não me cabe a função de avaliar os critérios (!) com que a Academia de Sueca se rege para denominar os vencedores do prémio da Literatura e da Paz, mas parece-me que cada vez mais o dito 'critério' é mais um produto de caprichos pseudo-intelectuais.

 

Na Literatura, Philip Roth continua a manter-se esquecido nos juízos do comité, enquanto que na Paz, o facto de Obama prestar vassalagem a regimes totalitários parece ser suficiente, já que, sendo Presidente dos EUA e não declarar guerra a ninguém já é digno de apreço global... Sei que pareço redutor, mas lembrem-se que Saramago (sem pontuação) ganhou o da Literatura e Arafat (de arma no coldre) ganhou o da Paz.

 

Para mim, os Nobel hoje em dia valem pouco ou nada, mas para aqueles que continuam a acreditar na meritocracia nórdica, a Academia deveria ter um pouco mais de respeito e não se nivelar pelo rídiculo, em estilo "Razzies".



publicado por Marco Moreira às 16:23
Quinta-feira, 08 de Outubro de 2009

A partir dos escritos do Rabino Yosef Ytzchak de Lubavitch

 

Durante a festa de Simhat Torah o rabino Israel Baal Shem conta uma alegoria aos seus discípulos: Na noite de Simhat Torah toda a gente adormece num instante por causa das hakafot (1). Os anjos, no entanto, não dizem l'haim (2) e erguem-se para as preces matinais à hora habitual. Mas os anjos dão por si sem nada para fazer - conforme o Talmud nos diz, os anjos não podem cantar nos céus louvores a D'us, até  que Israel o faça na terra. Então decidiram fazer umas limpezas nos céus enquanto esperavam e encontraram uns objectos estranhos - sapatos esfarrapados com os  saltos partidos!

 

Os anjos estavam habituados a encontrar tzitzit, tefilin e objectos sagrados semelhantes, mas nunca tinham visto  algo semelhante. Decidiram perguntar ao anjo Michael, defensor celeste do Povo Judeu, se sabia do que se  tratava.

 

"Sim" - admitiu Michael - "isto é a minha mercadoria. Isto é o que restou das hakafot da última noite em que os judeus dançaram com a Torah." Michael prosseguiu classificando os sapatos pela comunidade: "estes são de Kaminkeh, estes são de Mezeritch...", etc.

 

"O arcanjo Metat", diz Michael orgulhoso, referindo-se ao mais prestigiado anjo da Corte Celeste, "faz coroas para D'us a partir das preces de Israel. Hoje formarei uma, ainda mais gloriosa, a partir destes sapatos esfarrapados que serviram para louvar D'us com ainda maior alegria.

 

 

GLOSSÁRIO:

 

(1) Hakafot: Dança que se faz em procissão com o rolo da Torah. (lit: "dançar em círculos")

 

(2) L'haim: Brinde que se faz sobre o vinho ou bebida forte (lit.: "À Vida")



publicado por Marco Moreira às 18:13
Quarta-feira, 07 de Outubro de 2009

O Instituto Franco-Português e os seus parceiros, assinalam os dez anos de existência da Festa do Cinema Francês em Portugal com uma programação especial: 3 secções, uma Festinha, Retrospectiva a Agnès Varda, com exposição e instalações. Duas sessões de curtas-metragens, uma exposição de fotografas de Renaud Monfourny (Les Inrockuptibles), workshops, dois concertos: Jane Birkin (dia 8/10, CCB) e Moriarty (dia 9/10, IFP)... etc., etc. Confiram aqui o extenso catálogo e abaixo o video com a reportagem:

 


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publicado por Marco Moreira às 13:42
Terça-feira, 06 de Outubro de 2009

«E tornou-se rei em Jeshurun, quando se congregaram as cabeças do povo juntamente com as tribos de Israel.» Dt. 33:5

 

Há sempre algum enleio relativamente a Sh'mini Atzeret. Após os sete dias festivos de Sukot, agrega a conclusão da festa das cabanas, bem como a festa em si. De certo modo, é uma festividade que padece de uma espécie de crise de identidade. Deixamos a sukah para trás e voltamos a casa para esta ultima festividade da temporada.

 

Enquanto Sh'mini Atzeret significa, no seu contexto bíblico "Oitavo dia da Assembleia", a palavra 'assembleia' pode ser interpretada de forma diversa. Um dos seus significados é 'reter'. O Midrash explica que estabelecendo Sh'mini Atzeret, D'us é como uma mãe a quem se torna difícil apartar dos seus filhos. A mãe diz, "Fica comigo só mais um dia". Depois de Yom Kippur, Rosh Hashaná e da alegre celebração de Sukot, D'us exige a nossa presença por mais um dia. D'us incita-nos a não nos apartarmos Dele.

 

Outra interpretação de atzeret enfatiza o aspecto comunal de reunião. Nesta parábola, a mãe diz aos seus filhos que, não só é difícil quando se apartam de si, mas particularmente quando, através de litígios e contenciosos, os seus filhos se afastam entre si. A mãe incute aos filhos os valores de união. D'us diz, "Venham, reunam-se e sejam como um".

 

O versículo acima, ocorre no final da porção semanal da Torah. Jerushun é um dos nomes do povo de Israel. O versículo é de certa forma ambíguo. A que rei se refere? Rashi, o distinto comentador medieval, explica que D'us é o nosso rei e que a primeira parte do versículo - E tornou-se rei em Israel - é condicional relativamente à segunda parte - juntamente com as tribos de Israel. Rashi ensina-nos que somente quando todos estão reunidos numa ligação de fraternidade, então o Todo-Poderoso poderá ser Rei de Israel.

 

Há uma certa ironia em lermos este versículo em Sh'mini Atzeret, quando completamos a leitura anual da Torah e recomeçamos. Em variadas ocasiões, mais do que outra coisa, é a Torah nos divide mais que nos une. Na diáspora e em Israel, guerrilhas são empreendidas dentro do povo judaico sobre quem tem autoridade apropriada para interpretar a Torah.

 

A interpretação de Rashi deste versículo desafia-nos. A nossa própria união sugere o reflexo da união com D'us. Na medida em que o povo Judeu tem uma missão sagrada, essa missão está comprometida quando falhamos mantermo-nos como um povo. Juntas, as tribos de Israel podem experimentar na sua plenitude a alegria da Torah e o mérito de recomeçar, lendo-a de novo.


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publicado por Marco Moreira às 00:00
Segunda-feira, 05 de Outubro de 2009

Foto © Alex Brasetvik

 

A posição anti-israelita do governo norueguês é bem conhecida, pelo que não é de estranhar que a Universidade de Ciência e Tecnologia de Trondheim (NTNU) tenha decidido ser anfitriã de um seminário Anti-Israel e para o efeito convidar proeminentes palestrantes a quem que lhes é reconhecido o ódio pela única democracia do médio-oriente.

 

As palestras serão encabeçadas por conhecido inimigos do sionismo e de Israel, tais como: Ilan Pappe, Moshe Zuckerman e Stephen Walt, bem como académico locais. O alvo dos organizadores que assinaram um pedido de boicote a Israel, parece ser que, a administração da universidade proclame um boicote oficial a todas as academias israelitas nos próximos meses.

 

No seu blog, o reitor da universidade Torbjørn Digernes, saúda o comité de organização deste seminário e permanece convencido que esta série de seminários são "iniciativas louváveis". Os estudantes, staff e cidadãos comuns parecem não concordar.

 

Estão convidados a escrever uma nota de protesto ao reitor da NTNU nos comentários do seu blog.



publicado por Marco Moreira às 12:10
Segunda-feira, 05 de Outubro de 2009


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publicado por Marco Moreira às 09:49
Domingo, 04 de Outubro de 2009

     

    

Para ver em pormenor basta clicar sobre as fotos

 

Depois do projecto festivo do ano passado, os leitores da Ynews foram novamente questionados relativamente à sua escolha para a eleição das mais belas sinagogas da Terra Santa. Aqui estão as dez mais votadas. 


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publicado por Marco Moreira às 23:34
 
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