Quinta-feira, 07 de Outubro de 2010

 

Um casal de neo-nazis polacos, que começaram a namorar ainda jovens e mais tarde tornaram-se skinheads descobriram um chocante segredo familiar: eram Judeus.

 

Pawel e Ola, identificados somente pelos nomes próprios, são tema central de um documentário da CNN sobre polacos que estão a re-descobrir as suas origens judaicas depois dos seus familiares esconderem a identidade, para escapar às perseguições durante a 2.ª Guerra Mundial.

 

Ola descobriu a partir do Instituto de História Judaica de Varsóvia que ambos eram tecnicamente Judeus. Na altura, ela e Pawel eram activos membros do movimento Neo-Nazi de Varsóvia:

«Eu era nacionalista a 100%. Nessa altura, quando eramos skinheads, girava tudo à volta da supremacia ariana... que os Judeus eram a maior praga e o pior dos males do mundo» confessou Pawel.

 

Hoje vivem de acordo com as mitzvoth, na sinagoga ortodoxa local...

 

[ Via CNN ]


sinto-me:

publicado por Marco Moreira às 11:24
Quarta-feira, 07 de Julho de 2010

Hoje, via email, o meu caro Samuel Levy teve a amabilidade de me enviar mais uma extraordinária lição de história. Talvez pouco ou nada conhecida entre nós.

 

Fez-me saber que em Dezembro de 1941 o navio búlgaro STRUMA, navegando com bandeira panamense, partiu da Roménia levando cerca de 770 refugiados judeus fugindo do nazismo e com destino a terra prometida de Israel. Era um navio apertado, em más condições e só tinha 2 botes salva-vidas.

Após ficar à deriva no mar Negro, acabou por ser rebocado até Istambul, na Turquia, onde aconteciam negociações com o governo britânico para que passassem os vistos de entrada, facto permitido até então somente para crianças.

 

Como o governo britânico não chegou a um consenso, o governo turco não permitiu o desembarque de passageiros e somente  passados 10 dias sem água e comida, permitiu a entrada de 3 judeus da comunidade judaica local para que entregassem mantimentos e 10 mil dólares enviados pelo comité judaico americano.

 

Apesar de engenheiros turcos terem tentado consertar o barco, ele continuou inoperante e foi simplesmente rebocado e literalmente largado no mar pelas autoridades turcas, lançados à própria sorte, no dia 23 de Fevereiro de 1942, com vários passageiros segurando cartazes escritos em inglês e hebraico com as palavras “salvem-nos”.

 

No dia 24 de Fevereiro de 1942 o STRUMA foi atacado por torpedos de um submarino soviético, no que foi considerado o maior desastre naval civil da guerra, com repercussão mundial.  Somente um jovem chamado David Stoliar sobreviveu. Como se não bastasse a tragédia, David Stoliar de 19 anos foi preso e interrogado pelas autoridades turcas, sendo acusado de entrar na Turquia de forma ilegal e sem visto.

 

O submarino soviético tinha ordens de atacar embarcações inimigas no Mar Negro e o STRUMA foi confundido com um navio que levava carga para os nazis; na verdade ele levava “carga” humana, judeus refugiados que foram rejeitados pelos britânicos e jogados a própria sorte pelos turcos, sem nenhum sentimento de humanidade ou compaixão. Ainda mais, levando em conta que se voltassem para a Europa, seriam mortos pelos nazis.

 

Hoje, com o incidente da flotilla, a Turquia quer dar lições humanitárias. Devemos aceitar ?!



publicado por Marco Moreira às 10:48
 
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