Domingo, 10 de Agosto de 2008
Desenganem-se aqueles que pensam que me refiro à revolução sexual dos anos ‘60 e nas suas consequências da visão que temos hoje da sexualidade. É óbvio que se trata da época recente onde a grande maioria dos acontecimentos girava à volta de uma revolução sexual, de facto. Mas a revolução dos anos ‘60 que todos tomariam como simbólica com os valores da liberdade e igualdade acabaram por se transformar em “valores” libertários vivamente conotados com a libertinagem. Seria essa a mensagem de liberdade que os homens e mulheres de então queriam passar às gerações vindouras?
 
Mikveh medieval na cidade alemã de Speyer - Ano 1128 Era comum
 
Sumariando alguns dos feitos e efeitos desta mesma revolução podemos relacionar a mesma com:
 
  1. O facto da sexualidade ser uma nova arma e alvo político-social; 
  2. A alteração nas relações e o papel entre marido-mulher desde a famosa “queima dos soutiens”; 
  3. A mobilização de organizações gays e lésbicas;
  4. As reformas legais e mesmo cientificas da regulamentação sexual;
  5. A incrementação de negócios do sexo enquanto entretenimento, como a pornografia e a prostituição.
 
Todos eles são reflexo dessa mesma revolução. Como qualquer revolução criada pelos homens não foi perfeita e muito menos algumas das suas consequências. E não é preciso ter “canais descodificados” para nos apercebermos disso. Basta ligar a MTV…
 
Mas não é essa revolução que pessoalmente considero “A Revolução Sexual”. Esta tem uma origem muito mais antiga e uma vez que foi criada por D’us corre “o sério risco” de ser perfeita!
 
Com a Revelação no Sinai, nasceu também uma revolução da ética e da moral. Dos preceitos que D’us deu aos hebreus aquele que foca este tema chama-se Taharat Hamishpachá, isto é, Pureza familiar.
 
Os judeus observantes praticam-na desde esse tempo e desde esse tempo têm permanecido imunes às diferentes maleitas que o sexo irresponsável tem contribuido para destronar o Homem da sua condição humana e reduzindo-a à de um animal.
 
Mas o que têm de tão especial estas leis? Uma vez que é impossível resumir a sua importância, proponho a leitura da parashat Balak no Livro de Bamidbar (Números). Bilam, um profeta pagão, é contratado pelo Rei de Moav para amaldiçoar o Povo de Israel. Mas eis que, quando este se preparava para amaldiçoar o Povo de Israel acaba por abençoa-lo! A que se deve este milagre?
 
Bilam estava admirado pela destreza e maneira engenhosa que cada tenda, de cada família de Israel, era colocada de forma a que ninguém pudesse ver o que se passava nas habitações vizinhas. Alguém que no deserto se preocupa tanto com o seu recato não merece ser amaldiçoado, mas sim abençoado – terá pensado o profeta pagão. E exclamou: 
«Ma Tovu Ohalecha Yaacov, Mishkenotecha Israel» tradução: Quão belas são as tuas tendas Oh Jacob, as tuas moradas Oh Israel!
Curiosamente a mesma frase que hoje milhões de judeus exclamam ao entrar na sinagoga em homenagem a esse mesmo episódio e ao recato do seu povo. Originalmente dito por um profeta pagão…
 
Hoje em dia temos habitações de “pedra” com portas e janelas. Então, porque não conseguimos seguir este mesmo exemplo de recato? Quantas vezes não ouvimos dizer “É só sexo!”
 
Porque é impossível controlar este ímpeto?!
 
O Homem conseguiu controlar o fogo que era uma força externa ao seu corpo e com isso melhorar a sua vida e condição. Mas não consegue controlar os impulsos sexuais?!
 
Talvez a resposta neste desdém no recato e no respeito pela nossa sexualidade venha com uma outra revolução. A de Platão. Platão dizia que a alma é boa, o corpo é mau. Curiosamente numa fase da teologia cristã, S. Agostinho e Martinho Lutero, provavelmente influenciados por este conceito, perpetuaram a ideia que sexo era algo mau e que deveria servir somente para procriação. Com a rebeldia dos ’60 este conceito acabou por ser fulminado com o conceito de “free love” como forma de repulsa ao moralismo religioso. Mas será que D’us “acha” que o sexo é mau?
 
De facto não é assim. Caso contrário não nos teria criado com a potência de sentir prazer durante as relações maritais. O próprio conceito “relação marital”, utilizado pelos judeus observantes deixou de fazer sentido para o moderno mundo ocidental, porque sexo não se faz só no casamento. “É só sexo!”
 
Mas o que diz o Tanach a esse propósito? Em Mishlei 5:15 (Provérbios) encontramos a resposta deste respeito que D’us pretende que se tenha ao sexo:
«Bebe a água da tua própria cisterna, e das correntes do teu poço. Derramar-se-iam as tuas fontes para fora, e pelas ruas os ribeiros de águas? Sejam para ti só, e não para os estranhos juntamente contigo. Seja bendito o teu manancial; e regozija-te na mulher da tua mocidade. Como corça amorosa, e graciosa cabra montesa saciem-te os seus seios em todo o tempo; e pelo seu amor sê encantado perpetuamente. E por que, filho meu, andarias atraído pela mulher licenciosa, e abraçarias o seio da adúltera? Porque os caminhos do homem estão diante dos olhos do Senhor, o qual observa todas as suas veredas. Quanto ao ímpio, as suas próprias iniquidades o prenderão, e pelas cordas do seu pecado será detido. Ele morre pela falta de disciplina; e pelo excesso da sua loucura anda errado.»
 
Afinal sexo é muito bom. Mas como tudo na vida, tem os seus próprios limites. Uma simples questão de auto-disciplina!
 
E se parece impossível controlar o que temos entre as pernas, porque não controlar o que temos entre as orelhas? A nossa própria mente e a nossa própria consciência. Se o raciocínio é o que nos difere dos demais animais porquê comportar-nos de uma forma desumana? Quando descobrirmos de novo estes valores, descobriremos de novo a verdadeira "Revolução Sexual".

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publicado por Marco Moreira às 10:37
 
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