Domingo, 12 de Julho de 2009
 

Foto © Nathan William

 

«Invoquei o Eterno no momento de angústia e Ele ouviu-me e livrou-me das atribulações» Salmos 118:5 (1)

 

"Entre as estrituras" (2) está a descrição do profeta Jeremias do período entre 17 de Tammuz, quando as paredes de Jerusalém foram quebradas, até 9 de Av, quando o Templo Sagrado foi destruído e o exílio de Israel começou. Até aos dias de hoje, ambos os dias são observados com um jejum e uma "estritura" é feita ao percorrer as três semanas que os separam com um período de luto e arrependimento.

 

Dois mil anos de exílio físico e de trevas espirituais são lamentados. Vinte séculos de supressão puxaram a alma judaica pelo funil do exílio, revelando as suas convicções mais profundas e provocando o seu mais elevado potencial. Nestes caminhos terríveis nunca cessamos procurar D'us e é esta procura que irá ceder a "expansão Divina" de redenção final e o mundo magistral da era messiânica.

 

"Nesse dia," proclama o profeta, "o grande shofar será soado. E virão, esses perdidos na terra de Assíria e esses esquecidos na terra do Egipto, e se curvem diante D'us na montanha Sagrada, Jerusalém" (3). Nesse dia, a bondade e perfeição da criação Divina romperá pelos caminhos ocultos e florescerá numa realização espontânea.

 

Os mestres hassidicos perguntam nestes dias: «Estar triste é errado?» Os seus ensinamentos diferem em dois tipos de tristeza: merirut, uma angústia construtiva, e atzvut, uma angústia destrutiva. Merirut é a angústia de quem não só reconhece o seu fracasso, como também se entristece pelo mesmo, sobre as suas oportunidades perdidas e sobre o seu potencial não realizado; alguém que recusa tornar-se indiferente às suas deficiências pessoais e do mundo que o rodeia. Atzvut é a angústia daquele que se desesperou de si e seu semelhante, cuja melancolia o drenou de esperança e iniciativa. Merirut é a plataforma para a auto-correcção, atzvut é um fosso incompreensível.

 

Os mesmos voltam a perguntar: «Como se distingue entre estes dois tipos de tristeza?» O primeiro é activo, o segundo - passivo. No primeiro chora-se, no segundo os olhos estão secos e vazios. No primeiro a mente e o coração estão em tumulto, no segundo a mente e o coração estão apáticos e pesados. «E o que acontece quando passa, quando emergem das suas respectivas lutas?» - voltam a questionar. O primeiro floresce para a acção: resolve, planeia, tomando os seus primeiros passos que vacilam por causa da sua tristeza. O segundo vai dormir.» (4).

 

Uma forma popular dos Hassidim explicarem o primeiro tipo de angústia é através de provérbios. Eis dois exemplos do que vos falo:

 

«Não há nada mais completo que um coração partido»


«Depressão não é um pecado. Mas o que a depressão faz, nenhum pecado pode fazer»

 

 

Fontes e Notas:


(1) Recitado perante o soar do shofar em Rosh Hashaná

(2) Midrash Rabba - Lamentações 1:3

(3) Isaías 27:13

(4) Baseado no "Tanya" capítulo 3


Temas:

publicado por Marco Moreira às 15:27
 
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