Domingo, 13 de Julho de 2008
(...) E ainda era pouco!
 
Foi esta frase que ouvi pelo menos um par de vezes na rua. O tema da conversa rodava à volta dos actos de violência no Bairro da Quinta da Fonte em Loures e o problema parecia ser resolvido somente desta forma a avaliar pela indignação do povinho.
 
Confesso que não percebo muito bem a “dinâmica” da frase, porque depois de mortos pouco importa se ainda era pouco ou não. Mas o que me prende de forma pragmática sobre este assunto é a velha questão: “Como pode ter acontecido uma coisa destas?”
 
Simples, digo eu. Se um barril de pólvora incomoda muita gente, dois barris de pólvora incomodam muito mais. – nesta altura estão os liberais a matutar: “tu queres ver que o fedelho se está a referir à comunidade cigana e á comunidade negra* (ou luso-africana) como barris de pólvora”. NÃO… calma. Estou somente a dizer que os governos anteriores resolveram fazer bairros sociais em subúrbios da cidade formando “guetos” divididos em estilos, etnias e culturas diferentes. No caso deste resolveram dár-lhe um gostinho de multiculturalismo “a la gardaire”. Resultado: o que se viu.
 
Ponto 1: Não se colocam etnias e culturas diferentes afastadas das outras, como se de uma doença se tratasse. Em vez de se construírem vinte prédios de habitação social nos subúrbios, coloquem os prédios espalhados pela cidade de forma a que pessoas com “problemas problemáticos” se possam misturar com as outras e viver em sociedade, formando uma sociedade multicultural, de facto. Aprender a viver em sociedade é o que esta gente precisa. Tratá-las como gado só faz com que nos dêem “coices”,
 
Ponto 2: Desde pequeno que aprendi em casa a cultura “Quem estraga, paga!”. É absolutamente surreal a forma como ao fim de um ano da construção de habitações sociais estas parecem saídas de um documentário de guerra pós bombardeamento. Nas reportagens televisivas a algumas casas do Bairro da Quinta da Fonte depois do tiroteio não foram somente as imagens das balas cravadas na parede que prenderam o meu olhar no écran, mas também o estado degradado em que se encontravam. Certamente quem estragou as casas que lhe foram dadas dá pouco valor a esse facto, caso contrário não as estragavam como se de uma lata de coca-cola se tratasse. A política do “Quem estraga, paga” TEM de se fazer sentir nestes casos. De tempos a tempos, alguém tem de controlar a forma de como estes investimentos do estado (isto é: de todos os portugueses) estão a ser tratados.
 
Ainda me lembro de quando perto da minha casa construíram um bairro social para a comunidade cigana nos anos ’80 e o chão em parquet foi arrancado para fazer fogueiras… dentro dos prédios. Qualquer um sabe que os ciganos é um povo que continua a ser nómada. De que estavam à espera os governantes que os colocaram nestes edídicios tão longe do solo, como um 3º andar! À bons exemplos de moradias simples dentro e fora da cidade construídos por fundações que tiveram o cuidado de estudar e de ter em atenção à forma de vida destas comunidades. E sob a política do “Quem estraga, paga”
 
Mais recentemente, perto de um bairro onde vive um amigo construíram outro bairro social para alojar a comunidade negra (ou luso-africada). Desta feita os moradores resolveram vender os motores dos elevadores de vários prédios. Aqui deveria ser posto em prática a política “Quem vende o que não lhes pertence, paga”
 
Até me faz confusão que depois de tantos governos que adoram pôr os seus contribuintes a pagar mais e mais impostos, portagens e taxas de juro, que ainda não tenham colocado esta política em prática.
 
Assim deixo um conselho aos mais radicais em como resolver este “pequeno” problema: Ponto 1 e ponto 2. Não é preciso matar ninguém…
 
 
* a questão do tão utilizado “african american” deixa-me (realmente) preocupado em como escrever quando me refiro a pessoas de etnia africana pelo que já não sei como me referir a estas sem ofender a esquerda caviar. Penso que a palavra negro não deve ser confundida com o depreciativo “negro” americano. Pelo menos não é minha intenção que seja depreciativa. Mas se ficarem ofendidos também vou fazer birra e dizer que não admito que me chamem branco – até porque a minha tez “marroquina” não o permite!


publicado por Marco Moreira às 05:42
 
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