Quarta-feira, 06 de Outubro de 2010

Sobre o feriado de ontem:

 

«Por falar em violência, a I República atacou violentamente o mundo católico em geral (ex.: os jesuítas foram perseguidos) e o movimento operário. Como é que se pode comemorar um regime que reprimiu a liberdade religiosa e o sindicalismo?» Henrique Raposo in Expresso - "AS MENTIRAS DA I REPÚBLICA"

 

«E, em 2010, a questão é esta: como é possível pedir aos partidos de uma democracia liberal que festejem uma ditadura terrorista em que reinavam "carbonários", vigilantes de vário género e pêlo e a "formiga branca" do jacobinismo? Como é possível pedir a uma cultura política assente nos "direitos do homem e do cidadão" que preste homenagem oficial a uma cultura política que perseguia sem escrúpulos uma vasta e indeterminada multidão de "suspeitos" (anarquistas, anarco-sindicalistas, monárquicos, moderados e por aí fora)? Como é possível ao Estado da tolerância e da aceitação do "outro" mostrar agora o seu respeito por uma ideologia cuja essência era a erradicação do catolicismo? E, principalmente, como é possível ignorar que a Monarquia, apesar da sua decadência e da sua inoperância, fora um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês, que o "5 de Outubro" trouxe a Portugal?» Vasco Pulido Valente in Público - "COMEMORAÇÕES DA REPÚBLICA"

 

«Da fugaz I República ficaram pois, quase exclusivamente, as boas intenções. A intenção de educar o povo, de proteger o povo, de contar com o povo. Mas esse mesmo povo abandonou a República no primeiro momento, talvez pensando que de boas intenções está o Inferno cheio.» José António Saraiva in Sol - "A REPÚBLICA QUE PRODUZIU SALAZAR"

 

«O "empastelamento", no vocabulário da época, era aquilo que se fazia com a imprensa desavinda ou ameaçadora, que nunca poderia sobreviver caso ousasse criticar os principais políticos do partido único daquele regime. A liberdade de expressão e de imprensa é para mim a essência da democracia. Não é o sufrágio universal. Sou republicano, mas não consigo comemorar o 5 de Outubro de 1910 por isso. Neste aspecto, o regime foi a primeira parte do Estado Novo.» Pedro Lomba in Público - "UM FERIADO"

 

«A Primeira República portuguesa foi um monumento de ignomínia. As comemorações em curso não podem escamotear esse facto e deveriam proporcionar aos portugueses uma visão altamente crítica desse período da nossa história. Historiadores como Vasco Pulido Valente e Rui Ramos já o têm feito e bem. Mas nunca será demais insistir (...) No momento em que escrevo, antevéspera da famigerada efeméride, não sei ainda o que é que o jacobinismo irresponsável de uns, a complacência timorata de outros e a versatilidade diplomática de muitos virão a dizer nas cerimónias oficiais. Mas como se corre o risco de estas coisas não serem publicamente referidas, aqui fica mais uma síntese muito incompleta delas, para que conste. Cumpro desta maneira a minha obrigação de republicano.» Vasco Graça Moura in Diário de Notícias - "UM MONUMENTO Á IGNOMÍNIA"



sinto-me:

publicado por Marco Moreira às 12:05
 
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