Terça-feira, 06 de Outubro de 2009

«E tornou-se rei em Jeshurun, quando se congregaram as cabeças do povo juntamente com as tribos de Israel.» Dt. 33:5

 

Há sempre algum enleio relativamente a Sh'mini Atzeret. Após os sete dias festivos de Sukot, agrega a conclusão da festa das cabanas, bem como a festa em si. De certo modo, é uma festividade que padece de uma espécie de crise de identidade. Deixamos a sukah para trás e voltamos a casa para esta ultima festividade da temporada.

 

Enquanto Sh'mini Atzeret significa, no seu contexto bíblico "Oitavo dia da Assembleia", a palavra 'assembleia' pode ser interpretada de forma diversa. Um dos seus significados é 'reter'. O Midrash explica que estabelecendo Sh'mini Atzeret, D'us é como uma mãe a quem se torna difícil apartar dos seus filhos. A mãe diz, "Fica comigo só mais um dia". Depois de Yom Kippur, Rosh Hashaná e da alegre celebração de Sukot, D'us exige a nossa presença por mais um dia. D'us incita-nos a não nos apartarmos Dele.

 

Outra interpretação de atzeret enfatiza o aspecto comunal de reunião. Nesta parábola, a mãe diz aos seus filhos que, não só é difícil quando se apartam de si, mas particularmente quando, através de litígios e contenciosos, os seus filhos se afastam entre si. A mãe incute aos filhos os valores de união. D'us diz, "Venham, reunam-se e sejam como um".

 

O versículo acima, ocorre no final da porção semanal da Torah. Jerushun é um dos nomes do povo de Israel. O versículo é de certa forma ambíguo. A que rei se refere? Rashi, o distinto comentador medieval, explica que D'us é o nosso rei e que a primeira parte do versículo - E tornou-se rei em Israel - é condicional relativamente à segunda parte - juntamente com as tribos de Israel. Rashi ensina-nos que somente quando todos estão reunidos numa ligação de fraternidade, então o Todo-Poderoso poderá ser Rei de Israel.

 

Há uma certa ironia em lermos este versículo em Sh'mini Atzeret, quando completamos a leitura anual da Torah e recomeçamos. Em variadas ocasiões, mais do que outra coisa, é a Torah nos divide mais que nos une. Na diáspora e em Israel, guerrilhas são empreendidas dentro do povo judaico sobre quem tem autoridade apropriada para interpretar a Torah.

 

A interpretação de Rashi deste versículo desafia-nos. A nossa própria união sugere o reflexo da união com D'us. Na medida em que o povo Judeu tem uma missão sagrada, essa missão está comprometida quando falhamos mantermo-nos como um povo. Juntas, as tribos de Israel podem experimentar na sua plenitude a alegria da Torah e o mérito de recomeçar, lendo-a de novo.


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publicado por Marco Moreira às 00:00
 
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