
O 'Menino Rabino' vai estar longe dos computadores nos próximos dias e os acessos à rede serão feitos com pouca assiduídade, pelo que a actualização do blog terá de ficar para um futuro próximo. Até breve...

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Em vésperas do 71º aniversário do Kristallnacht, a polícia de Dresden confirmou à imprensa que foram pintadas suásticas nazis, bem como outros simbolos de extrema-direita nos muros da sinagoga localizada na baixa da cidade, a Neue Synagogue.
Nesta Segunda-feira recorda-se com pesar a morte de pelo menos 91 Judeus alemães e a destruição de mais de 200 sinagogas e 7.000 lojas pertencentes a judeus. A génese do Holocausto está inerente a este dia.
Os neo-nazis alemães (e não só) fazem questão de lembrar a data de outra forma... com júbilo e por vezes terror.
Há pouco mais de um ano, Paulo Texeira Pinto lançou o livro de poemas "LXXXI: Poema Teorema", que tive o prazer de ler (lentamente) ao longo dos últimos dois meses. A obra em estrutura matemática reúne 99 poemas escritos durante a última década, agrupados por áreas temáticas e inspirados na natureza humana, na sua globalidade física e metafísica.
É um livro complexo e intimista, daí que o filme que se segue, da responsabilidade do realizador João Botelho com montagem de Paulo Barata, seja uma excelente ferramenta decifradora de um pouco do que se pode encontrar neste livro.

Sobreviventes do Holocausto naturais de Salónica mostram os números de prisioneiro tatuados no braço. Da esquerda para a direita: Sam Profeta, Mois Amir, Sr. Robisa e Barouh Sevy. Foto: Frederic Brenner
Antes do início da Segunda Guerra Mundial, havia cerca de 56.000 judeus a viver na cidade-porto de Salónica. No final da guerra, quase 98% da comunidade judaica de Salónica tinha perecido nas câmaras de gás, trabalho forçado, fome e doença em Auschwitz-Birkenau. Somente 11.000 Judeus em toda a Grécia (de um total de população pré-guerra de 77.000) sobreviveu ao Holocausto, dos quais aproximadamente 1.100 voltaram directamente dos campos de morte nazis.
Salónica foi outrora o centro da vida religiosa e cultural sefardita e da vida intelectual judaica no geral, que ostentava instituições culturais como teatro Judeo-Espanhol, imprensa, literatura secular e música. A cidade ficava virtualmente parada no sábado, o Shabbat.
No entanto, a maioria dos sobreviventes sefarditas acreditam que os ashkenazitas marginalizaram o seu sofrimento. Eles acreditam que as experiências deles foram tratadas como uma reflexão tardia pelos académicos e organizações, mais notadas no Yad Vashem e nos Museus do Holocausto em Jerusalém, Israel e Nova Iorque. Ambos citaram numerosas fontes para provar o contrário.
A comunidade judaica de Salónica floresceu durante muitos séculos. Tão tarde quanto 1912 os judeus eram o maior grupo étnico-religioso na cidade. Mas em 1917, um grande fogo devastou Salónica, facto que deixou os judeus fragmentados e os empobreceu. Com o advento de nacionalismo grego e a reorganização dos Cristãos Ortodoxos na Grécia em 1923, os judeus de Salónica começaram crescentemente a sentir-se marginalizados. Antes das duas guerras mundiais, ocorreram fenómenos periódicos de anti-semitismo, tais como a tradução em grego da falsificação afamada, "Prótocólos dos Sábios de Sião", em 1928. É possível que entre 20.000 a 25.000 judeus tenham deixado a cidade antes da Segunda Guerra Mundial estourar.
Em Abril de 1941, a Alemanha nazi invadiu a Grécia. O Rei George II sai de Atenas e um regime fantoche pró-Eixo é instalado, com o país dividido em três zonas diferentes: Atenas e certas ilhas estavam debaixo do controle de Itália; Macedónia oriental estava debaixo do controle de Bulgária; e Salónica era controlada pelos Nazis. Logo, um gueto foi criado para os judeus de Salónica onde eram forçados a usar uma estrela amarela. Espectáculos de humilhação pública para com os judeus tornaram-se um lugar-comum e não levou muito tempo a estes serem deportados para campos de concentração, em Março 1943. Aproximadamente um quinto da população de Salónica era deportada, que conduziu ao saque difundido de casas e negócios pertencentes a judeus.
O Rabino Chefe de Salónica era na ocasião Zvi Koretz, uma figura particularmente controversa. Um rabino ashkenazita ordenado em Viena, que se tinha tornado o rabino principal de Salónica em 1933. Detentor de um doutoramento em Árabe e Filosofia Medieval Islâmica no Instituto de Estudos Orientais de Hamburgo, foi acusado no pós-guerra por sobreviventes gregos do Holocausto de ser um colaborador dos nazis. Koretz tornou-se o rabino principal numa altura em que a liderança judaica procurava uma aproximação mais moderna para o Judaísmo na cidade, essencialmente depois do líder tradicionalista, Haim Habib, ter recusado dar um aperto de mão à rainha grega por motivos de modéstia e recato religioso (Tzniut). Mas o acontecimento teve o efeito oposto e Koretz tornou-se impopular devido ao seu comportamento rígido e arrogante. Foi preso pelo exército alemão um mês após a invasão da Grécia e foi enviado de volta para Viena onde esteve preso oito meses, acusado de promulgar propaganda anti-alemã.
Em 1940, Koretz protestou activamente o bombardeamento italiano da Igreja de Santa Sophia em Salónica, facto que causou suspeita a muitos judeus gregos que colocaram a hipótese deste ter sofrido uma "lavagem ao cérebro" pelo Nazis e se tornar seu colaborador. Além disso, ele serviu cooperação às autoridades alemãs no início de 1940 e foi forçado pelo Nazis a encabeçar o Conselho Judaico local. Neste papel, teve oportunidade de negociar a libertação de 4.000 jovens judeus levados para trabalho forçado, mas não conseguiu os fundos necessários para manter o cemitério judaico com mais de 500 anos, um dos maiores na Europa. Os alemães demoliram-no e usaram as lápides para a construção de estradas, piscinas e urinóis.
Na primeira grande acção pública contra os judeus de Salónica, o General Kurt von Krenzski, chefe das forças alemãs no norte da Grécia, ordenou todos os homens adultos judeus a juntar-se na Praça de Eleftheria na manhã de 11 de Julho de 1942 com o fim de registar todos os homens para detalhes de trabalho. Em vez de tarefas de trabalho foram mantidos quase 10,000 homens parados ao sol durante o dia inteiro enquanto os soldados alemães e italianos os humilharam em frente à população não-judia forçando-os a tarefas desagradáveis. Aqueles que desfaleciam do calor e cansaço eram espancados pelas tropas e encharcados com água até se colocarem novamente de pé.
A solução-final começou na Grécia em Fevereiro de 1943, com a chegada de dois proeminentes oficiais nazis, Dieter Wisliceny (ajudante íntimo para Adolph Eichmann que supervisionou muitas deportações) e Alois Brunner. Quando os dois chegaram a Salónica, ordenaram imediatamente medidas anti-judias que o Rabino Koretz aconselhou os judeus a aceitarem. Em contraste com o rabino principal em Atenas, Elias Barzilai que encorajou que a comunidade fugisse, Koretz falou aos judeus que eles seriam reorganizados em segurança na Polónia e eventualmente encontrariam trabalho num outro lugar - de acordo com algumas crónicas de então.
Muitos notáveis de Salónica e judeus da restante Grécia foram um símbolo de coragem durante a guerra. O campeão boxeur meio-peso, Jacko Razon, contrabandeava sopa para os ocupantes famintos na cozinha de Auschwitz-Birkenau, onde ele trabalhou. Jacko Maestro de apenas quinze anos de idade tornou-se coordenador de trabalho de 10.000 reclusos e salvou várias vidas subornando guardas alemães. Em 1944, os Sonderkommando gregos organizaram uma revolta nos crematórios matando vários guardas nazis. Isaac Baruch conseguiu pôr uma bomba no forno crematório "Crematorium III", no qual o edifício foi destruído. Os conspiradores foram executados publicamente, enquanto entoavam canções tradicionais gregas e o hino nacional grego.
No término da guerra, mil judeus sobreviventes de Salónica voltaram à cidade para encontrar as suas casas e negócios assumidos por gregos que recusaram renunciar controlo da propriedade pilhada. A maioria escolheu deixar a cidade onde nasceram, seguindo para os Estados Unidos ou Palestina. Hoje, há cerca de 250 judeus gregos a viver em Israel.

Claude Lévi-Strauss, 1908-2009
«O sábio não é o homem que fornece as verdadeiras respostas; é quem faz as verdadeiras perguntas»

Enquanto Judeu, um crucifixo "não me aquece, nem me arrefece". Não o vejo como símbolo de terror do passado inquisitorial da Igreja, nem como símbolo de salvação teológica. Vejo-o sim como um símbolo importantíssimo para um grupo religioso chamado Cristãos.
Somente a estes o símbolo poderá ter importância particular relevante. No caso, este será um símbolo de gratidão e de lembrança pelo martírio daquele que os Cristãos entendem por Salvador.
Pessoalmente, a única importância que reservo a este símbolo é que, como todos os outros símbolos religiosos, é ele próprio um símbolo de liberdade religiosa e de tolerância entre as nações. Proibí-lo é reduzir o crucifixo a outros, declaradamente usados para o mal, como a suástica nazi, por exemplo. - não confundir com a suática jainista (similar na forma, mas diferente)
Baseado nesta concepção de liberdade custa-me conceber a atitude do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, apesar de algumas posições anedóticas que a tempos nos vai habituando. A única intolerância que podemos ter é pela violência, pelo terror, pelo totalitarismo, pela fome e outros males que tais. Intolerar um símbolo religioso é intolerar o nosso próximo, logo intolerar a Humanidade. Os ateístas aplaudem a "lei" baseados numa espécie de vingança póstuma aqueles que usaram a religião para violentar inocentes. A estes resta-me dedicar-lhes repúdio e desprezo e lembrá-los citando Joseph Roth que:
«Não existe nobreza sem generosidade, assim como não existe sede de vingança sem vulgaridade»

«Por volta de 1900, quase todos os direitos [femininos] estavam a ser conquistados, especialmente nos países protestantes. Não havia, no entanto, uma única juíza, política, generala ou empresária em toda a Europa. Curiosamente, a monarquia, uma das mais antigas instituições, permitia ocasionalmente que uma mulher estivesse acima de todos os homens. Em 1900, a mais famosa mulher no mundo inteiro era a rainha Vitória, que então celebrava o seu 63º ano no trono britânico.» Geoffrey Blainey, in 'Uma Breve História do Século XX' (Livros d' Hoje, 2009)
[via Corta-Fitas]
Nota de interesse: A Rainha Vitória, acabada de subir ao trono britânico em 1837 concedeu o título honorário de "Cavaleiro", com o título "Sir" a MOSES MONTEFIORE que em 1846 foi elevado ao título de Barão.

Este notável Siddur (Livro de Rezas) do rito Italiano, datado de 1471, e provavelmente destinado ao uso de uma senhora, foi manuscrito em fino velino pelo notável académico e escriba, Abraham Farissol.
O mesmo começa com 72 versos relacionados com os 72 nomes que a tradição cabalista utiliza para mencionar D'us. O texto de abertura, na imagem acima, «eilu meah berachot», são as cem bençãos recitadas diariamente preliminares a Pessuke D'zimrah, minuciosamente decoradas com elaborados motivos florais ao estilo Ferrarense.
O texto litúrgico é notável, pela simetria adequada à utilização de uma mulher judia. Particularmente interessante é uma alteração pouco tradicional numa das bençãos da aurora em que se agradece a D'us por (entre outras coisas) «me teres feito mulher e não homem». Para além disto "provar" que o siddur era destinado ao uso por uma mulher, pode-se encontrar mais uma folha que corrobora este facto, onde se encontra escrito que «Abraham Farissol, filho de Mordecai Farissol, edita este Siddur para o honorável senhor (nome ilegível) e sua esposa (nome também ilegível)».
A obra várias vezes censurada em diferentes locais, carrega ainda a assinatura do censor, Camilo Jagel em 1611. Curiosamente o mesmo individuo que, autores dos séculos XVII e XVIII, como Giulio Bartolotti ("Bibliotheca Magna Rabbinica", 1675-93, Roma), dizerem tratar-se de um antigo rabino. Apontaram que o Rabino Abraham Yagel, que viveu sucessivamente em Luzzara, Veneza, Ferrara e Sassuolo, no final de sua vida, teria-se convertido ao cristianismo, adoptando o nome de Camilo Jagel e passando a trabalhar para o Papa Paulo V como censor de livros hebreus entre 1619 e 1620, na localidade de Ancona. As datas não conferem, mas por (muito) poucos anos...
Para ver em pormenor basta clicar nas imagens
'TODO-O-MUNDO' não é uma alegoria; é uma narrativa real. Não é sobre todo-o-mundo; é sobre um indivíduo específico. Não trata simplesmente de um Judeu secular nova-iorquino, com um irmão "avaliado" em cinquenta mil dólares, três esposas e a oportunidade de uma relação fugaz com uma modelo dinamarquesa. Ainda assim, a vida do protagonista liga-se a aspectos da experiência humana de forma dura e profunda. Um homem de setenta e um anos, multi-divorciado, bem sucedido na área da publicidade, encara a sua deterioração física aproximando-se da morte - sem a ajuda da religião ou da filosofia.
São três, os temas principais. O primeiro é a exploração do provérbio escocês «um membro masculino despertado não tem consciência» … enfim, não é bem assim mas preferi o decoro à ordinarice. Isto é, quando este segue os seus impulsos os resultados são geralmente desagradáveis. O segundo e mais complexo tema, é a ilustração da noção de Yeats, segundo a qual à medida que envelhecemos sentimos um crescendo como se o coração estivesse «amarrado a um animal moribundo». O livro é uma meditação sobre a morte, mas mais em particular uma meditação na forma como o nosso corpo falha e nos trai. O terceiro é a importância da família e amigos. A família, em particular, um nexus de relacionamentos que temos por importante assim que paramos de ser egoístas e começamos a tornarmo-nos mais sábios.
Uma estória excepcionalmente escrita e inspirada. É um livro severo sem ser deprimente. Erótico sem ser escandaloso. Rico em detalhes e descrições. Um romance "rápido e brutal, acerca de um assunto comum e pesaroso".
Em baixo têm a oportunidade de ouvir uma entrevista que Philip Roth deu à NPR (National Public Radio) em Maio de 2006: